
Você tem um carro com 10, 8 ou 15 anos e está se perguntando se ainda faz sentido pagar seguro. O valor é alto, o carro não vale tanto quanto antes, e você fica na dúvida: compensa mesmo fazer seguro para carro antigo?
Essa é uma das perguntas mais comuns de quem tem carro usado. E a resposta não é simples — porque depende de muita coisa: o valor do carro, como você usa, onde mora, se tem reserva financeira.
Neste guia, vamos te ajudar a tomar essa decisão de forma inteligente. Com simulações reais, cálculos práticos e 5 perfis diferentes para você identificar o seu. No final, você vai saber se deve contratar seguro completo, só terceiros, ou se pode economizar esse dinheiro.
O que é considerado carro antigo pelas seguradoras
Antes de decidir se vale a pena, você precisa entender como as seguradoras classificam carros antigos:
Até 5 anos: Considerado novo ou seminovo. Seguradoras aceitam facilmente com cobertura completa. Preços normais.
6 a 10 anos: Considerado usado. A maioria das seguradoras ainda aceita sem restrições. Algumas coberturas podem ficar mais caras.
11 a 15 anos: Considerado antigo. Muitas seguradoras começam a recusar ou limitam coberturas. Preço pode subir proporcionalmente ao valor do carro.
16 a 20 anos: Considerado muito antigo. Poucas seguradoras aceitam. Geralmente só oferecem cobertura contra roubo/furto ou terceiros.
Mais de 20 anos: Considerado carro de coleção ou relíquia. A maioria das seguradoras tradicionais recusa. Você precisa de seguradoras especializadas (como Suhai, Youse) que trabalham com valor determinado (não usa mais tabela FIPE).
Importante: Segundo o Sindipeças, 67% da frota brasileira tinha mais de 10 anos em 2023. Você não está sozinho. Milhões de brasileiros enfrentam essa mesma dúvida.
Esse envelhecimento da frota mudou o mercado, e hoje existem dados estatísticos da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) que ajudam a entender por que os preços variam tanto para essa categoria.
Quanto custa seguro para carro antigo
O custo varia muito conforme o ano do carro e o tipo de cobertura. Veja simulações reais:
Simulação 1: Gol G6 2017 (8 anos, valor R$ 45 mil)
Perfil: Homem, 35 anos, uso urbano, sem sinistros
Seguro compreensivo: R$ 2.200/ano (R$ 183/mês)
Percentual do valor do carro: 4,9%/ano
Seguro terceiros: R$ 700/ano (R$ 58/mês)
Percentual do valor do carro: 1,5%/ano
Simulação 2: HB20 2018 (7 anos, valor R$ 55 mil)
Perfil: Mulher, 32 anos, uso urbano, sem sinistros
Seguro compreensivo: R$ 2.600/ano (R$ 217/mês)
Percentual do valor do carro: 4,7%/ano
Seguro terceiros: R$ 850/ano (R$ 71/mês)
Percentual do valor do carro: 1,5%/ano
Simulação 3: Corolla 2015 (10 anos, valor R$ 75 mil)
Perfil: Homem, 45 anos, uso misto, sem sinistros
Seguro compreensivo: R$ 3.800/ano (R$ 317/mês)
Percentual do valor do carro: 5,1%/ano
Seguro terceiros: R$ 1.100/ano (R$ 92/mês)
Percentual do valor do carro: 1,5%/ano
Simulação 4: Palio 2012 (13 anos, valor R$ 30 mil)
Perfil: Homem, 38 anos, uso urbano, sem sinistros
Seguro compreensivo: R$ 2.400/ano (R$ 200/mês)
Percentual do valor do carro: 8%/ano
Seguro terceiros: R$ 650/ano (R$ 54/mês)
Percentual do valor do carro: 2,2%/ano
Padrão identificado: Quanto mais antigo o carro, maior o percentual do seguro em relação ao valor. Isso acontece porque o custo base do seguro não cai tanto quanto o valor do carro.
m dos fatores que mais impactam esse custo é a sua participação financeira nos reparos. Por isso, avalie se para o seu modelo vale mais a pena uma franquia alta ou baixa.
A matemática que decide se vale a pena

Não basta olhar o preço mensal. Você precisa fazer uma conta simples:
Regra dos 7%: Se o seguro compreensivo custar mais de 7% do valor do carro por ano, geralmente não compensa. Melhor fazer só terceiros ou economizar o dinheiro.
Vamos aplicar essa regra:
Exemplo 1: Gol 2017 (valor R$ 45 mil)
Seguro compreensivo: R$ 2.200/ano
Percentual: 4,9%
Análise: Está abaixo de 7%. Ainda compensa fazer seguro completo.
Exemplo 2: Palio 2012 (valor R$ 30 mil)
Seguro compreensivo: R$ 2.400/ano
Percentual: 8%
Análise: Passou de 7%. Não compensa. Melhor fazer só terceiros (R$ 650/ano = 2,2%).
Regra da reserva financeira: Se você tem guardado o valor do carro (ou mais), você pode se autoassegurar. Economiza o custo do seguro e usa esse dinheiro como reserva.
Exemplo 3: Você tem um Gol 2017 (R$ 45 mil) e tem R$ 60 mil investidos
Seguro compreensivo em 5 anos: R$ 2.200 x 5 = R$ 11.000
Se você não fizer seguro: Economiza R$ 11.000 e continua com reserva de R$ 60 mil (suficiente para repor o carro se for roubado ou perda total)
Análise: Faz sentido não fazer seguro completo. Faça apenas terceiros (R$ 700/ano) e guarde a diferença.
Quando vale MUITO a pena fazer seguro
Contrate seguro compreensivo para carro antigo se você se encaixa em pelo menos 3 destes critérios:
- Usa o carro todo dia para trabalhar: Ficar sem carro significa perder renda. O prejuízo indireto é maior que o custo do seguro.
- Não tem reserva financeira: Você não tem o valor do carro guardado. Se for roubado ou perda total, não consegue repor.
- Mora em região de alto risco: Capital com alto índice de roubo (Rio, SP, Belém). Carro antigo é alvo para desmanche.
- Carro vale mais de R$ 50 mil: Mesmo sendo antigo, ainda representa um patrimônio considerável.
- Seguro custa menos de 6% do valor do carro: A matemática ainda fecha. Vale o investimento.
- Estaciona na rua: Exposição constante a riscos (batidas, roubo, vandalismo).
Custo médio: R$ 2.200-3.800/ano
Benefício: Tranquilidade. Se algo acontecer, você está coberto.
Quando NÃO vale a pena (e as alternativas)
Não contrate seguro compreensivo se você se encaixa em pelo menos 3 destes critérios:
- Carro vale menos de R$ 35 mil: Seguro vai custar proporcionalmente muito (7-10% do valor).
- Tem reserva financeira robusta: Você tem guardado o valor do carro (ou mais). Pode se auto assegurar. Além de guardar o dinheiro, existem outras táticas práticas de como economizar no seguro auto que funcionam muito bem para carros com mais tempo de uso.”
- Usa esporadicamente: Menos de 8.000 km/ano. Baixa exposição a riscos.
- Seguro custa mais de 7% do valor do carro: A matemática não fecha. Você paga quase o valor do carro em poucos anos.
- Tem outro carro disponível: Família com 2 carros. Se perder este, tem alternativa.
- Carro tem mais de 12 anos: Seguradoras cobram caro e oferecem coberturas limitadas.
Economia: R$ 1.500-3.200/ano (vs seguro completo)
Alternativas inteligentes:
Seguro terceiros apenas: R$ 650-1.100/ano. Protege você de processos (o mais importante).
Rastreador: R$ 500-900 (instalação) + R$ 70-110/mês. Se roubarem, aumenta chance de recuperação em 85%.
Guardar o valor do seguro: R$ 2.200/ano investido a 10% ao ano = R$ 12.600 em 5 anos (suficiente para dar entrada em carro novo).
5 perfis: qual é o seu?
Perfil 1: Carro para trabalhar (uso diário intenso)
Características:
Usa o carro todo dia (mais de 20.000 km/ano)
Depende dele para trabalhar (vendas, visitas, deslocamentos)
Ficar sem carro = perder renda
Não pode esperar meses para repor
Recomendação: Seguro compreensivo (mesmo que o carro seja antigo)
Por quê: O prejuízo de ficar parado é maior que o custo do seguro. Se você ganha R$ 5.000/mês e depende do carro, um mês parado = prejuízo de R$ 5.000. O seguro de R$ 2.400/ano compensa.
Adicional: Contrate carro reserva (mais R$ 350/ano). Essencial para não parar.
Perfil 2: Carro para rotina leve (uso moderado)
Características:
Usa 3-4x por semana (levar filhos na escola, mercado, compromissos)
Não depende dele para trabalhar
10.000-15.000 km/ano
Pode usar transporte alternativo se precisar
Recomendação: Seguro terceiros + rastreador
Por quê: Você não depende 100% do carro. Se for roubado, consegue se virar até repor. Mas você precisa de proteção contra processos (terceiros) e aumentar chance de recuperação (rastreador).
Custo: R$ 700 (terceiros) + R$ 80/mês (rastreador) = R$ 1.660/ano
Economia vs completo: R$ 540-1.500/ano
Perfil 3: Segundo carro da família (uso esporádico)
Características:
Família tem 2 carros
Este é o “backup”
Menos de 8.000 km/ano
Fica parado vários dias
Recomendação: Apenas seguro terceiros (ou nada)
Por quê: Você já tem outro carro. Se perder este, não fica desamparado. O risco compensa. Faça apenas terceiros para se proteger de processos.
Custo: R$ 650-850/ano
Economia vs completo: R$ 1.550-3.000/ano
Use essa economia: No seguro do carro principal ou guarde como reserva.
Perfil 4: Tem reserva financeira sólida
Características:
Tem R$ 80.000+ investidos ou guardados
Renda estável
Consegue repor o carro sem comprometer finanças
Planeja bem
Recomendação: Seguro terceiros (você é autoassegurado)
Por quê: Você pode absorver a perda do carro sem crise financeira. Economizar R$ 2.200/ano por 10 anos = R$ 22.000. Melhor investir esse dinheiro.
Atenção: Faça terceiros com limite alto (R$ 200 mil). Você pode causar danos grandes.
Custo: R$ 700-1.100/ano
Benefício: Proteção contra processos + economia de R$ 1.500-2.700/ano
Perfil 5: Carro de valor afetivo (relíquia)
Características:
Carro antigo bem conservado (15-30 anos)
Vale mais para você do que a tabela FIPE indica
Investiu muito em restauração
Usa esporadicamente (eventos, finais de semana)
Recomendação: Seguro especializado (Suhai, Youse) com valor determinado
Por quê: Seguradoras comuns não aceitam ou não indenizam pelo valor real. Você precisa de seguro que reconheça o valor de restauração.
Custo: R$ 1.200-2.400/ano (dependendo do valor acordado)
Importante: Negocie o valor de indenização antes de contratar. Tenha fotos, notas fiscais de restauração, laudos técnicos.
Coberturas essenciais para carro antigo
Se você decidiu fazer seguro, estas são as coberturas que realmente importam:
Essenciais (não tire):
Responsabilidade Civil (terceiros): Protege você de processos. Nunca tire isso.
Limite recomendado: R$ 200 mil (mínimo R$ 100 mil)
Roubo e furto: Carro antigo é alvo para desmanche. Vale a proteção.
Segundo a SSP-SP, carros com mais de 15 anos representam 30% dos furtos no estado em 2024
Assistência 24h: Carro antigo tem mais pane mecânica. Guincho, chaveiro e troca de pneu salvam.
Custo adicional: Geralmente incluído ou R$ 140-220/ano
Opcionais (avalie se compensa):
Carro reserva: Só vale se você usa o carro diariamente para trabalhar.
Custo adicional: R$ 280-380/ano (15 dias)
Vidros: Só vale se o parabrisa custar mais de R$ 1.500.
Custo adicional: R$ 120-200/ano
Colisão: Aqui está o ponto crítico. É a cobertura mais cara. Se o custo total do seguro passar de 7% do valor do carro, retire colisão e faça apenas roubo/furto + terceiros.
Desnecessárias (economize):
Proteção de faróis: Farol de carro antigo é barato. Não compensa.
Carro reserva premium: Carro básico já resolve.
Acessórios: Som, rodas. Limite baixo (R$ 3.000) não justifica o custo.
Seguradoras que aceitam carro antigo
Nem todas as seguradoras aceitam carros com mais de 10 anos. Veja quais aceitam:
Até 15 anos (a maioria aceita):
Porto Seguro
Allianz
Tokio Marine
Liberty
HDI
Azul Seguros
16 a 20 anos (poucas aceitam):
Suhai (aceita, mas só roubo/furto, sem colisão)
Youse (aceita em casos específicos)
Howden (seguradora londrina, aceita mas com restrições)
Mais de 20 anos (raras opções):
Suhai (sem limite de idade, mas sem cobertura de colisão)
Proteção veicular (Atos, outros) – não é seguro regulado pela SUSEP
Dica: Faça cotação em pelo menos 3 seguradoras. Algumas são mais flexíveis que outras com carros antigos.
Erros comuns ao contratar seguro para carro antigo
Erro 1: Contratar seguro completo “por segurança” sem fazer as
contas
Você paga R$ 2.400/ano em um carro que vale R$ 28.000. Em 5 anos, pagou R$ 12.000 (43% do valor do carro). Se nada acontecer, desperdiçou dinheiro.
Como evitar: Use a regra dos 7%. Se passar disso, faça apenas terceiros.
Erro 2: Não fazer seguro nenhum (nem terceiros)
Você economiza R$ 2.200/ano não fazendo seguro completo. Mas se causar um acidente grave, pode perder casa, carro e poupança em processo judicial.
Como evitar: Sempre faça pelo menos terceiros (R$ 650-1.100/ano). Protege você de prejuízos milionários.
Erro 3: Aceitar o primeiro preço sem comparar
Seguradoras têm políticas muito diferentes para carros antigos. A diferença pode chegar a 40% no preço.
Como evitar: Cote em pelo menos 3 seguradoras. Use comparadores online.
Erro 4: Não declarar modificações no carro
Você instalou GNV, rodas novas, suspensão rebaixada e não declarou. Na hora do sinistro, a seguradora nega indenização.
Como evitar: Declare tudo. Modificações aumentam o preço, mas te protegem.
Perguntas frequentes sobre seguro para carro antigo
Seguradora pode recusar seguro por causa da idade do carro?
Sim. Cada seguradora tem suas regras. Algumas aceitam até 15 anos, outras até 20, algumas não têm limite.
Seguro para carro antigo cobre peças usadas?
Sim. Desde 2015, existe o seguro popular que permite uso de peças usadas (de desmanches autorizados). Isso barateia o conserto e o custo do seguro.
Posso instalar rastreador e não fazer seguro?
Sim. É uma alternativa inteligente. Rastreador custa R$ 500-900 (instalação) + R$ 70-110/mês. Se roubarem, aumenta chance de recuperação em 85%. Você economiza vs seguro completo.
Vale a pena seguro se o carro fica na garagem?
Depende. Se você usa menos de 5.000 km/ano e tem garagem, o risco é baixo. Pode valer apenas terceiros + rastreador. Economiza R$ 1.500-2.500/ano vs seguro completo.
Carro com mais de 20 anos consegue seguro?
Consegue, mas em seguradoras especializadas (Suhai, Youse, proteção veicular). A maioria das seguradoras tradicionais recusa.
O que é valor determinado?
É quando a seguradora não usa mais a tabela FIPE (porque o carro é muito antigo e não está mais na tabela). Você e a seguradora negociam um valor fixo de indenização antes de contratar. Esse valor fica registrado na apólice.
Conclusão: vale a pena ou não?
A resposta depende de 3 fatores:
- Quanto o seguro custa vs valor do carro
Use a regra dos 7%. Se o seguro compreensivo custar mais de 7% do valor do carro por ano, não compensa. Faça apenas terceiros.
- Como você usa o carro
Usa todo dia para trabalhar? Seguro completo vale a pena (o prejuízo de ficar parado é maior que o custo).
Usa esporadicamente? Economize o seguro e guarde o dinheiro.
- Sua situação financeira
Tem reserva financeira igual ou maior que o valor do carro? Você pode se autoassegurar. Faça apenas terceiros.
Não tem reserva? Seguro completo é essencial (você não consegue repor o carro se perder).
Resumo prático:
Vale fazer seguro completo: Carro vale mais de R$ 50 mil + usa diariamente + não tem reserva financeira
Vale fazer só terceiros: Carro vale menos de R$ 40 mil + usa moderadamente + tem alguma reserva
Vale fazer terceiros + rastreador: Equilíbrio perfeito para maioria dos casos (proteção contra processos + chance de recuperar se roubar)
Não vale fazer nada: Carro vale menos de R$ 25 mil + tem reserva robusta + usa pouco + mora em local seguro (mas faça ao menos terceiros de R$ 650/ano)
A regra de ouro: Nunca fique sem ao menos seguro terceiros. Processos judiciais por danos a terceiros podem destruir seu patrimônio. O terceiros te protege disso por R$ 650-1.100/ano. É o seguro mais importante.

